Bipa Pills — 30 de abril de 2026
Semana de bancos centrais. O Copom cortou a Selic para 14,50% (segundo corte seguido de 0,25 p.p.) em meio a inflação acelerando — o IPCA-15 de abril saltou para 0,89%. Nos EUA, o Fed manteve juros em 3,50%-3,75% com a maior dissidência desde 1992 (8 a 4). Powell fez sua última coletiva como Chair e avisou que fica no Board of Governors para bloquear Trump. Kevin Warsh vem aí. O Bitcoin recuou de US$ 78 mil para US$ 76 mil com Treasury de 30 anos batendo 5%.
Mercado da Semana
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Bitcoin (BTC) | ~US$ 76.100 / ~R$ 396.000 |
| Variação 7 dias | -2,8% |
| Variação em abril | +10% |
| Variação no ano | ~-12% |
| Dólar (USD/BRL) | R$ 4,98 |
| Selic | 14,50% a.a. (corte de 0,25 p.p.) |
| Fed Funds Rate | 3,50%-3,75% (mantida, 8x4) |
| Petróleo (Brent) | ~US$ 121/barril (alta de US$ 92 → US$ 126 na semana) |
| Treasury 30 anos | 5,00% (máxima desde jul/2025) |
Notícias Macro
Copom corta Selic para 14,50% — mas inflação não ajuda
O Copom cortou a Selic de 14,75% para 14,50% na quarta-feira (29), o segundo corte consecutivo de 0,25 p.p. A decisão veio em linha com a expectativa do boletim Focus, mas o cenário piorou significativamente desde março:
- IPCA-15 de abril: acelerou para 0,89%, pressionado por combustíveis e alimentos. Em 12 meses, subiu de 3,9% para 4,37% — perigosamente perto do teto da meta (4,5%)
- Focus: expectativa de inflação para 2026 subiu para 4,86% — acima do teto
- Petróleo: Brent saltou para US$ 126/barril na semana, máxima da guerra O Copom está desfalcado: dois diretores ainda não foram substituídos desde que seus mandatos expiraram no fim de 2025. E a ata de março já não indicava compromisso com novos cortes — o BC disse que o ritmo seria determinado "ao longo do tempo". A mensagem: mais cortes não são garantidos. Tudo depende do petróleo e da guerra.
Fed mantém juros com maior dissidência desde 1992
Nos EUA, o FOMC manteve os juros em 3,50%-3,75% pela terceira vez consecutiva. Até aí, esperado. A surpresa foi a votação: 8 a 4, a maior dissidência desde outubro de 1992.
Quem discordou e por quê:
- Stephen Miran: queria cortar 0,25 p.p. — é o membro mais dovish e alinhado com Trump
- Kashkari, Logan e Hammack: queriam remover a linguagem de "viés de afrouxamento" do comunicado — ou seja, não querem sinalizar cortes futuros. Pelo contrário: alguns membros chegaram a discutir a possibilidade de aumentar juros se a inflação persistir O CPI dos EUA subiu para 3,3% em março (maior desde maio de 2024). Com petróleo acima de US$ 120, a inflação pode continuar subindo. O mercado agora precifica juros parados até o fim do ano.
Powell sai, fica — e bloqueia Trump
Em sua última coletiva como Chair, Powell fez um movimento inesperado: anunciou que permanecerá no Board of Governors mesmo depois que seu mandato de Chairman expire em 15 de maio. O motivo declarado: quer garantir que a investigação sobre as reformas do prédio do Fed seja concluída com "transparência e finalidade".
O efeito prático: Powell impede Trump de nomear mais um membro alinhado ao Board. Com Warsh chegando, o presidente teria 3 indicados no Board de 7 membros. Com Powell ficando, a composição segue equilibrada. É a maior disputa de independência do Fed desde Marriner Eccles vs. Truman em 1948.
Kevin Warsh foi aprovado pelo Comitê Bancário do Senado e deve ser confirmado pelo plenário na semana de 11 de maio. Seu primeiro FOMC como Chair seria em 16-17 de junho.
Notícias Cripto
Bitcoin recua de US$ 78k para US$ 76k — Treasuries são o vilão
O BTC abriu a semana em US$ 78 mil, mas caiu progressivamente para US$ 76.100 nesta quinta-feira (30). É o menor valor de abertura em mais de uma semana.
O que pesou: a Treasury de 30 anos bateu 5% pela primeira vez desde julho de 2025. Quando renda fixa paga 5% ao ano sem risco, o custo de oportunidade de manter Bitcoin sobe. Capital sai de cripto e vai para bonds.
Somou-se a isso: reportagens de que Trump considera ações militares adicionais contra o Irã para "reabrir negociações de paz", o que levou o Brent para US$ 126/barril na semana. Os ETFs de Bitcoin à vista registraram saída de US$ 148 milhões na quarta (29).
Ainda assim, abril fecha com +10% de alta para o BTC e US$ 1,8 bilhão em entradas nos ETFs no mês. O CoinDesk aponta que a sazonalidade de maio historicamente favorece os bulls, e que as médias móveis do BTC estão prestes a fazer um "bull cross" (50-day cruzando acima da 200-day).
Clarity Act avança nos EUA
O projeto de lei para regulamentação cripto nos EUA ganhou tração. O Clarity Act inclui compromisso para eliminar a exigência de licença bancária nacional para emissores de stablecoins — um entrave que travava o mercado. O projeto também protege os 328 mil BTC do governo americano (US$ 25,1 bilhões). A administração Trump sinalizou que emitirá uma ordem executiva para criar uma Reserva Estratégica de Bitcoin.
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O que ficar de olho
- Ata do Copom (próxima semana) — vai revelar se há espaço para mais cortes ou se o ciclo pode pausar
- Kevin Warsh confirmado pelo Senado? — votação esperada na semana de 11/mai. Primeiro FOMC em 16-17/jun
- Treasury de 30 anos em 5% — se mantiver, é headwind sério para BTC e ativos de risco
- Petróleo acima de US$ 120 — Trump pode escalar ações militares contra o Irã
- Bull cross nas médias móveis do BTC — se confirmar, sinal técnico altista para maio
Este artigo tem caráter informativo e educacional. Não constitui consultoria financeira ou de investimentos. Criptoativos são investimentos de risco. Avalie sua situação pessoal antes de investir.

