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De engenheiro a bitcoinheiro: o que 20 anos trabalhando com energia me ensinaram sobre dinheiro

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Investimentos tradicionais vs Bitcoin: análise comparativa de proteção patrimonial contra inflação real no Brasil

Por Joule

Abril de 2020. Petróleo WTI (West Texas Intermediate) chegou a ser cotado a menos 37 dólares o barril. Negativo. Produtores pagando para alguém levar o produto embora. Essa dinâmica ocorreu pois alguns players tinham contrato de compra, mas as estruturas para receber o óleo estavam saturadas, logo, precisavam "pagar" para que alguém levasse o óleo em nome do comprador.

Eu estava em casa, em home office como muitos ficaram naquele ano. A reflexão que me lembro de ter feito à época não era sobre como o preço do petróleo oscila. Isso eu já sabia há muito tempo. O que me faz lembrar desse dia até hoje foi outra coisa: a percepção de que dedicamos décadas desenvolvendo tecnologia para extrair energia das profundezas da Terra, investimos bilhões em projetos como o pré-sal, o produto perde quase todo o valor e chega ao ponto de te pagarem para você recebê-lo. Foi momentâneo, mas foi a primeira vez que algo do tipo aconteceu.

Naquele dia, uma pergunta ficou martelando: se a energia que extraímos com tanto esforço pode perder todo o valor de uma hora para outra, então o que é, afinal, valor? E o dinheiro que recebemos pelo nosso trabalho... ele preserva alguma coisa?

Essa pergunta mudou minha vida.

Um incômodo que não passava

Sou engenheiro de formação, mas minha trajetória profissional se construiu ao longo de 20 anos nos setores de energia do Brasil: mineração, sistemas elétricos e agora petróleo e gás. É o tipo de carreira que, vista de fora, parece sólida e confortável. E em muitos sentidos, de fato é.

Mas há pelo menos 15 anos sou ativo no mundo dos investimentos. Ações na B3, Stocks, fundos imobiliários, renda fixa, multimercados; tudo que o mercado tradicional oferece. E há alguns anos, comecei a sentir que, apesar de "saber muito" e ter acesso a todas as classes de ativos possíveis, algo estava profundamente errado. Eu meio que tinha jornada dupla (engenheiro e gestor de investimentos) e o rendimento parecia sempre correr atrás das contas, num jogo de gato e rato em que eu era o rato, e não sentia que estava ganhando.

Demorei para entender que não era falta de esforço ou QI. Era algo estrutural.

Outro dia, almoçando com um amigo (economista e experiente com investimentos), ele me disse que estava pensando em migrar tudo pra renda fixa atrelada à Selic. "Estou cansado pra caramba, muito estresse. A 15%, dá menos trabalho, tem um rendimento até bom e não tem risco nenhum." Quando comentei que minhas poupanças estavam praticamente todas em bitcoin, a reação foi imediata: "Não brinca com isso! Você tem dois filhos pra cuidar!"

Minha resposta: "Exatamente porque tenho dois filhos pra cuidar que não deixo meu dinheiro pendurado nos riscos do governo."

A conversa morreu ali. Mas o incômodo era real, e dos dois lados. A Selic a 15% não é sinal de paraíso sem risco; é sintoma de risco. O Banco Central mantém a taxa em patamar histórico elevado justamente porque as expectativas de inflação estão desancoradas e o risco fiscal é concreto. Escrevi sobre isso em detalhe no meu texto "O conforto que empobrece", onde mostro como a Selic alta mascara a diluição real do seu patrimônio. Em resumo: juro alto é a resposta desesperada do sistema tentando conter um monstro que ele mesmo criou.

E o real? Perdeu 87% do seu poder de compra desde 1994. Antes do real, tivemos réis, cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, cruzado novo, cruzeiro de novo, cruzeiro real; todas essas moedas foram a zero. O IPCA oficial diz que a inflação está "controlada" em torno de 5% ao ano. Mas experimente usufruir de uma boa escola para seus filhos, um imóvel bem localizado ou fazer um jantar decente num bom restaurante. A inflação real, a que corrói o padrão de vida, é de dois dígitos.

Selic a 15% não é uma tese patrimonial. É estacionamento de caixa e com muito mais risco do que você imagina.

Quando entendi o dinheiro como ele de fato deve ser

Minha percepção é que a formação técnica e a trajetória na área de energia me ajudaram a compreender o Bitcoin de maneira intuitiva. Curiosamente, alguns amigos economistas me disseram que ter passado cinco anos na faculdade estudando economia, na verdade, dificultou o entendimento. Não é que a formação econômica seja um defeito; é que ela te treina para pensar dentro de um modelo onde o governo controla a moeda, o banco central ajusta a oferta de dinheiro e isso é tratado como natural.

Quando você vem da engenharia, está mais acostumado a lidar com leis físicas que não negociam com ninguém. Ou você as compreende e "joga com elas", ou não avança. E o Bitcoin funciona muito mais como a física do que como a economia convencional.

Num campo de petróleo, você trabalha com reservatórios finitos. A produção começa alta e declina tipicamente entre 4% e 8% ao ano, de forma inevitável. Isso com você injetando água, gás, usando técnicas avançadas para frear o declínio. Mas a geologia não negocia. O que está lá embaixo é o que existe.

O Bitcoin funciona com essa mesma lógica, com uma diferença fundamental: a escassez não está na geologia, está no código. A cada quatro anos, a emissão de novos bitcoins cai pela metade — o halving. Quando a rede nasceu, em 2009, eram 50 bitcoins por bloco. Hoje, 3,125. Em 2028, 1,5625. E assim até 2140, quando os 21 milhões de unidades terão sido integralmente emitidos. No petróleo, você tenta frear o declínio. No Bitcoin, o declínio é o próprio protocolo. Escassez verificável, transparente e imutável.

Como comecei a comprar e usar Bitcoin na prática

Conheci o Bitcoin e comecei a estudar mais sério em 2021. Minha primeira compra se deu pouco tempo depois. Mais intuição do que método. Na época, um amigo discreto, daqueles que estão sempre alguns passos à frente, me mandou uma mensagem: "Estude e tire suas conclusões, mas não deixe de comprar. Estamos muito no começo e dá tempo de entrar." Junto, o artigo da Fidelity chamado "Bitcoin First", que explica por que o Bitcoin deveria ser analisado separadamente de todo o restante do universo cripto (e de fato é).

Aquilo acendeu a fagulha. Mas o que realmente transformou minha compreensão foi estudar o que é dinheiro. Parece básico, mas não é. Usamos dinheiro todos os dias sem nunca questionar sua natureza. Quando você realmente entende que dinheiro é uma tecnologia de coordenação humana (que carrega, em cada unidade, um pedaço do nosso tempo e da nossa energia), a ficha de verdade.

Escrevi sobre esse processo no texto "O que é, afinal, o dinheiro?", onde conto como a série "What is Money?", do Robert Breedlove com o Michael Saylor, foi decisiva para mim. Saylor é brilhante e também gosta de metáforas que conectam vida e engenharia. Foram 18 episódios que me forçaram a revisitar perguntas básicas: o que é dinheiro? Por que ele tem valor? Quem controla as regras?

Foi quando deixei de tratar Bitcoin como "aposta tecnológica" e passei a vê-lo como padrão de referência.

Uma pergunta que surgiu nesse processo e que não me sai mais da cabeça: é justo trocar sua energia e seu tempo (décadas de trabalho duro) por um dinheiro que governos podem simplesmente imprimir e direcionar a quem quiserem? Essa pergunta, uma vez feita com honestidade, não tem volta.

O problema prático: como um profissional atarefado acumula bitcoin?

Entender os fundamentos é uma coisa. Executar é outra.

Minha rotina é intensa. Trabalho em projetos complexos, gerencio equipes, tenho dois filhos pequenos e tenho o projeto da Joule BTC, em que publico semanalmente. Não tenho tempo (nem temperamento) para ficar olhando gráfico, tentando acertar timing de mercado ou operando trade.

Precisava de algo simples: comprar bitcoin de forma recorrente, sem pensar no preço do dia, sem fricção, e eventualmente transferir para minha própria custódia. É o que chamam de DCA: Dollar Cost Averaging, ou, em bom português, compra periódica com valor fixo. Você escolhe um valor, uma frequência, e compra independente de o preço estar alto ou baixo. A ideia é que, ao longo do tempo, seu preço médio de compra se suaviza, e você não precisa adivinhar nada.

Ao meu ver, esse é um dos diferenciais da Bipa.

A compra recorrente da Bipa é, para mim, a funcionalidade mais valiosa do app. Você configura uma vez (frequência, valor) e esquece. E o melhor, não há taxas para ordens recorrentes. Para um profissional como eu, que fica atarefado com outras coisas, é a maneira mais prática de manter disciplina de poupança em bitcoin. Não preciso decidir todo mês se "é hora de comprar" ou se "o preço está caro". Simplesmente transfiro o que sobra pro app e a compra roda no automático.

Gosto de compra recorrente semanal, mas você pode configurar diária ou mensal. Como quem paga um boleto — só que esse boleto é meu futuro e da minha família.

A interface é limpa e intuitiva. Num mercado cheio de plataformas confusas, com dezenas de altcoins e dashboards piscando, a simplicidade da Bipa é um alívio. É uma plataforma de bitcoinheiros, feita para bitcoinheiros.

Com o tempo, pelo uso recorrente e pelos valores envolvidos, acabei virando cliente Premium. É nessa condição que escrevo este texto: como Joule e como cliente satisfeito — que também não economiza nos feedbacks para o time da Bipa.

Autocustódia: a única forma em que os bitcoins são realmente seus

Se você está começando no mundo do Bitcoin, esse conceito é importante. Autocustódia significa guardar seus próprios bitcoins, controlando suas próprias chaves privadas (uma espécie de senha-mestra criptográfica que dá acesso aos seus fundos). Quando você compra bitcoin numa corretora e deixa lá, quem detém as chaves é a corretora, não você. É como guardar seu ouro no cofre de outra pessoa. Funciona, até o dia em que não funciona.

Quem viveu os anos 80 e 90 no Brasil sabe que confiscos, bloqueios e mudanças de regra da noite para o dia não são ficção. São história recente.

Me lembro do Diego Kolling, que foi Head do Bipa Premium e hoje é Head de Estratégia Bitcoin na Méliuz, comentar: "Quando você compra Bitcoin, mas não saca, o que você tem é apenas um número na tela. Você não tem certeza se esse Bitcoin existe de fato." Muitas corretoras criam incentivos para você não sacar (rendimento, cashback, facilidades que te mantêm preso na plataforma). Isso abre margem para práticas como reserva fracionária: a corretora te diz que você tem X bitcoins, mas na verdade tem menos do que isso em cofre, porque emprestou parte.

A Bipa faz algo que poucas plataformas incentivam: saques gratuitos para sua carteira pessoal, tanto on-chain quanto via Lightning Network. A maioria das corretoras te incentiva a deixar o dinheiro com elas. A Bipa te incentiva a sacar seus bitcoins e guardá-los com segurança. Parece contraintuitivo como negócio, mas é perfeitamente coerente com a filosofia do Bitcoin: "not your keys, not your coins."

Minha rotina hoje: compra recorrente pela Bipa, acumulação por algumas semanas, transferência para carteira física (um dispositivo que mantém suas chaves privadas offline, fora do alcance da internet). Simples, sem custo adicional, sem drama.

Se você quer se aprofundar nesse tema, escrevi um guia honesto sobre isso: "Por onde começar com Bitcoin: um guia para entender os fundamentos e dar o primeiro passo"

Bitcoin no dia a dia: não é só teoria

Uma coisa que me surpreendeu na prática foi o quanto Bitcoin já funciona como dinheiro no cotidiano. Não no futuro; agora.

Na SatsConf em São Paulo, passei dias usando exclusivamente Bitcoin para pagamentos. Comida, bebida, camisetas; tudo via Lightning Network, pelo app da Bipa. Transações instantâneas, sem taxa. A experiência é melhor que Pix, e sem intermediário bancário. E o público presente era uma boa amostragem de como o ecossistema tem se transformado no Brasil: não era mais um evento majoritariamente de técnicos e entusiastas. A indústria tradicional já estava lá. Energia, bancos, assets.

Uso também o cartão da Bipa na rotina diária e recebo cashback direto em satoshis (1 bitcoin = 100 milhões de satoshis). Cada compra no supermercado, cada abastecimento no posto, um pouco mais de bitcoin voltando para mim e, ao contrário do cashback em reais, esse retorno não é corroído pela inflação. Parece pouco, mas é o tipo de hábito que, acumulado ao longo de anos, faz diferença concreta.

O que o pré-sal e o Bitcoin têm em comum?

Permita-me uma última analogia do setor que conheço, para explicar como enxergo o momento atual do Bitcoin.

Imagine que você é engenheiro de reservatórios no final dos anos 2000. O mercado precifica sua empresa baseado nas reservas conhecidas, na produção atual, nas perspectivas de campos maduros em declínio. Mas você e um grupo pequeno de técnicos sabem algo que o mercado ainda não precificou: as análises sísmicas confirmaram algo gigantesco abaixo da camada de sal. Os poços exploratórios estão mostrando vazões excepcionais. A tecnologia para extrair está sendo desenvolvida internamente, e funciona.

Você sabe, com alto grau de certeza, que está diante de uma das maiores descobertas de petróleo das últimas décadas. Comunica isso para o mercado. Mas o ceticismo reina. O mainstream defende uma narrativa de declínio. E o preço segue a narrativa do mainstream.

Quem viveu o pré-sal sabe como a história terminou. O Campo de Búzios atingiu 1 milhão de barris por dia em 2025 e caminha para 2 milhões. O que era "aposta geológica" virou fato consumado.

É assim que vejo o momento atual do Bitcoin. A infraestrutura institucional está sendo construída. A rede segue funcionando sem problemas, 24/7. ETFs com dezenas de bilhões de dólares em ativos. Bancos e instituições aceitando bitcoin como colateral. Países incorporando como reservas estratégicas. O poder computacional da mineração só aumenta, tornando a rede a cada dia mais segura. A "confirmação geológica" já aconteceu. A "produção comercial" está apenas começando.

Com uma diferença importante: no Bitcoin, não tem ciclo político para implodir a estratégia. Nem risco de gestão ruim. Nem interferência regulatória que mude as regras do "reservatório". Bitcoin é um sistema que funciona independente de quem está no poder.

A clareza que o Bitcoin me trouxe (e o que vem a seguir)

Após duas décadas no setor de energia, percebi que ocupo uma intersecção rara: entendo a fundo os modelos de negócios e a infraestrutura na área de energia e os fundamentos do Bitcoin. São poucos, no Brasil e no mundo, que conectam as duas coisas. E consigo ver claramente como a convergência entre esses temas é inevitável.

No início, o entendimento do Bitcoin pesa. Você passa a ver o sistema financeiro por outra lente; entende que a inflação não é apenas um número abstrato, é um mecanismo que corrói o fruto do seu trabalho sem que você perceba de imediato. Ver com nitidez como o sistema é desenhado para nos empobrecer gera um desconforto profundo, mas não existe um botão de "desver" após compreender a realidade.

Com o tempo, esse peso vira libertação. Hoje, vejo que dominar os fundamentos do Bitcoin é um superpoder porque, ao entender o problema, você ganha a capacidade de agir e proteger o que construiu. Preservar valor para quem amamos é o que importa. Essa clareza me mostrou que ter satoshis sem um propósito maior é vazio. E tudo isso tem me levado a uma migração integral de carreira para o ecossistema Bitcoin, jornada que iniciei em outubro de 2025 com o primeiro texto da Joule.

Meu objetivo é levar conteúdo técnico e fundamentado ao máximo de pessoas, e usar da credibilidade conquistada nesses 20 anos para que o Bitcoin entre pela porta da frente nas discussões sobre infraestrutura energética e monetária junto à sociedade, empresas e governo. Com isso, a partir do segundo semestre, além da newsletter, esperem por novos projetos e iniciativas. Conto com o apoio de vocês nessa jornada que está apenas começando.

Assuma as rédeas do seu futuro

Se esse texto fez sentido para você; se você é uma pessoa que sente aquele incômodo de que algo está errado com o dinheiro, com os investimentos, com o sistema; saiba que não está sozinho. E que o caminho é mais simples do que parece.

Comece simples. Compre pouco. Estude os fundamentos. Entenda como fazer uma boa autocustódia e não dependa de ninguém.

A jornada do Bitcoin é uma jornada de responsabilidade e liberdade e, como tal, exige disciplina.

Lembre-se, liberdade não é um direito. Ela precisa ser conquistada.

P.S. Se quiser começar com a Bipa, use meu código JOULE no cadastro e ganhe até R$ 3.000 em Bitcoin


Joule é engenheiro com 20 anos de experiência nos setores de energia do Brasil e fundador da Joule BTC, onde analisa Bitcoin sob a ótica da energia e da infraestrutura. Para análises semanais sobre Bitcoin, energia e o futuro do dinheiro, assine gratuitamente o Joule BTC.

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